Olímpico: A dor que os
gremistas estão sentindo
Sou colorado.
Sim, sou colorado e não tenho a pretensão aqui de querer entender a alma de um
torcedor gremista, essa dor que devem estar sentindo ao ver “desmoronar” cada
tijolo do Estádio Olímpico, de verem fecharem as cortinas do palco do velho
Monumental. Deixo de lado aqui a rivalidade Gre-Nal (que para mim é a maior do
Mundo), pois tenho muitos amigos do lado gremista, e descrevo aqui a paixão de
amar o seu querido estádio, lugar, que com certeza faz parte da vida de nós
torcedores.
Escrevo isto por
que, dentro das proporções, senti algo inexplicável quando imaginei a
possibilidade do Beira-Rio ser demolido para poder ser uma das sedes da Copa do
Mundo de 2014. Como não ter mais o meu amado estádio? Como poder viver somente
de fotografias e de lembranças?
Não sei o que
vocês torcedores do Grêmio estão sentindo, mas tenho certeza que todos e
quaisquer gremistas jamais se esquecerão das glórias, das tristezas e de tudo o
que cada grão de cimento e areia que o Estádio Olímpico presenciou. Estádio com
“E” maiúsculo, honra dada graças a sua história.
Nenhum gremista
esquecerá os times imbatíveis que desfilaram pelo seu gramado, e nem dos não
tão bons assim. Nenhum gremista se esquecerá das vitórias gloriosas, e nem das
derrotas que doeram na alma. Nenhum gremista esquecerá dos belos uniformes que
vestiram os seus atletas no Olímpico, e nem dos feios, mas que mesmo assim eram
vestidos como uma armadura pelos jogadores e por vocês torcedores.
E tenho certeza
que nenhum gremista jamais esquecerá dos momentos que arrancaram dos olhos
tricolores, lágrimas de alegria e de tristeza. Tudo protagonizado dentro de um
monumento, tudo protagonizado por uma apaixonada torcida.
Tenho certeza
que nenhum gremista esquecerá da primeira Libertadores conquistada no Olímpico,
daquele cruzamento que foi na altura da lua, mas que voltou como um cometa pra
dentro do gol Carbonero. Tenho certeza que nenhum gremista esquecerá do gol de
André Catimba e do mais impressionante vôo proporcionado por um jogador de
futebol, sobrevoando todo bairro Azenha. Tenho certeza que nenhum gremista
esquecerá daquele jogo contra o Palmeiras “Parmalat” e nem da voadora do volante
Dinho no palmeirense Valber.
Nenhum gremista esquecerá dos Gre-Nais
históricos do Estádio Olímpico, dos golaços do Paulo Nunes, nem da derrota de
5x2, pois as derrotas também fazem parte de uma história gloriosa. Nenhum
gremista esquecerá dos craques que ali passaram, nem dos comuns, que pelo menos
se esforçaram para honrar o manto tricolor. Tenho certeza que nenhum gremista
esquecerá do técnico Felipão a beira do gramado.
Nenhum gremista
esquecerá dos momentos ali vividos. Cada suspiro e grito dado na arquibancada
do velho Monumental, e mesmo os que ali pouco pisaram, sentirão uma dor, a dor,
essa sentida e explicada somente por vocês torcedores gremistas. Todos
tricolores se emocionarão toda vez que se derem conta que realmente o Olímpico
nunca mais vai estar ali, naquele ponto do bairro Azenha, onde por um mero
passeio qualquer enchiam os olhos dos que ali cruzavam.
Eu tenho certeza
que cada gremista vai guardar o Estádio Olímpico de alguma maneira, alguns
mais, outros menos, mas todos se sentirão como se estivessem sem uma parte do
seu coração.
Torcedores gremistas...
Serão vocês os responsáveis para que o Estádio Olímpico jamais seja esquecido.
Serão vocês que carregarão para dentro da nova Arena o espírito do velho
Estádio. Serão vocês que contarão para os novos filhos gremistas, histórias
sobre o que um dia foi o lar de vocês. E tenho certeza que cada torcedor
gremista idolatrará imensamente a nova casa.
Eu não sei a dor
que vocês gremistas estão sentindo, só imagino quão doloroso deve ser. Mas
tenho certeza que dentro de cada alma gremista, o velho Estádio Olímpico será
elevado para sempre como um ídolo, como um mártir, e se erguerá dos escombros
como um gigante imortal.
Cássio de Oliveira Almeida

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