Este artigo foi retirado do site olheiros.net. Agora entendo o que vi no Gre-nal pela Copinha no feriado do dia 12. Aí vai o artigo:
Quando assumir a presidência do Grêmio em 2011, Paulo Odone precisará mais uma vez olhar com carinho para as categorias de base. Ponto alto da gestão que tirou o clube da Série B e colocou na final da Libertadores, o processo de formação gremista, especialmente neste ano, decaiu de maneira séria. A grande razão para isso vem da política que orbita em torno da Azenha.
Por motivos que vão além das questões técnicas, a direção do Grêmio destituiu Paulo Deitos do comando do departamento amador e deu margem ao processo de reformulação que, até os dias de hoje, não surtiu frutos. Comandado por Paulo Autuori, o trabalhou foi encampado pela grande mídia como inovador. Máximas como “não vamos priorizar resultados” e “vamos formar laterais e meias” foram compradas como a descoberta da luz elétrica. Na prática, não foi bem assim.
Como pertencia à turma de Odone, Deitos foi demitido, mesmo caminho concedido a Julinho Camargo, treinador de méritos inquestionáveis nos juniores gremistas. Passando por sua mão, jogadores chegavam aos profissionais com senso tático acima da média e tinham a personalidade como um ponto em comum. Era raro algum nome bater em cima e voltar.
Em 2010, já com a reformulação consolidada, isso não aconteceu. Não há um só jogador que tenha partido dos juniores, neste ano, e venha se destacando com Renato Gaúcho ou mesmo que tenha se destacado com Silas. Saimon, Neuton, Fernando e Bergson não se solidificaram na equipe de cima, embora haja qualidade especialmente nos dois primeiros. Douglas Costa e Bruno Renan, dois jovens com grande potencial, foram descartados e se tornaram dinheiro graças ao empresário Cesar Bottega, responsável por levar ambos ao Shakhtar.
Isso também é fruto de um ambiente que não funciona com harmonia. Gente próxima ao departamento amador diz que o clima entre os avaliadores gremistas é tenso e não há confiança de uns com os outros. Edson Aguiar, eleito como o homem a comandar esse processo de reformulação, passa longe de ser unanimidade. Com salários altos, ele e Mauro Rocha, ambos fortes no departamento amador, deixam a desejar.
A questão central é que a reformulação no setor, naturalmente, não foi 100%. Gente do grupo antigo não aceita saídas motivadas pela gestão de Duda Kroeff. Naturalmente, os mais recentes têm atitude similar. Só mesmo quando o novo grupo assumir o Grêmio, em 2011, é que as questões poderão ser sanadas. A turma de Edson Aguiar, provavelmente, não irá permanecer.
A nova direção poderá alegar falta de resultados. Nos tempos mais recentes, só dois títulos em tese importantes foram conquistados pelo Grêmio. O bicampeonato do Brasileiro Sub-20, uma competição cada vez mais fraca, e a Copa FGF Sub-17. Nesse torneio, em especial, foram cometidos erros graves de arbitragem na semifinal contra o Juventude. A final, contra o Inter, terminou em pancadaria. Em torneios fortes como a Copa São Paulo e a Taça BH, os garotos gremistas “levaram pau”.
Toda essa crise, unida à saída de Andrey Lopes dos juniores aos profissionais, também promoveu trocas importantes nas comissões técnicas na base tricolor. Cristian Souza, ex-treinador dos juvenis, assumiu o júnior. Seu antigo preparador físico, Emmanuel, virou o novo comandante do sub-17, mas teve um início ruim. Foi o elemento catalisador para que as coisas piorarem. Também não há só um craque que seja em todas as divisões de base do Grêmio. O melhor jogador, fisicamente privilegiado, ainda convive com suspeitas a respeito de sua idade.
Naturalmente, a base gremista tem seu valor e o DNA de lançar garotos está vivo dentro do clube, tradicional viveiro de talentos. Só se perdeu, nos últimos tempos, a organização, a competência e a harmonia que levaram nomes como Lucas Leiva, Anderson, Carlos Eduardo, Rafael Carioca e Willian Magrão, entre outros, a brilhar entre mais velhos. A política, não há dúvidas, estragou o trabalho.
Firulas
#1
Em jogo recente do Grêmio B, profissionais da base gremista quase cometeram um trapalhada sem tamanho. Tentou se fazer um esforço grande para Marcelo Grohe, de chegada prevista com o grupo profissional às 15h30, entrasse no segundo tempo da partida, cujo início era às 15h. Por pouco, Grohe não foi relacionado. Já pensou se o goleiro titular se lesiona no início do embate e não há um reserva no banco? A história virou folclore na Azenha.
Cara é preucupante mesmo, enquanto os outros times lucram com jogadores da base, nós não conseguimos isso a 2 anos.
ResponderExcluirFoi o que eu falei em um post anterior, o último inquestionável que surgiu foi Mario fujão, mas este não foi criado pela base gremista e sim pelo são caetano.
Enfim tomara que ajeitem isso de uma vez.
Pois é, Dani!
ResponderExcluirAcho que o Odone ajeitará isto rapidamente. Em uma das entrevistas que assisti com ele, demonstrou muita preocupação com este setor. Disse que a saída é profissionalizar como nos tempos dele. Contou, inclusive, como funcionava com Caetano.
Acho que ele resolverá isto com certa rapidez.
É chato trazer um assunto destes em uma semana de Gre-nal mas, o torcedor deve saber o que está acontecendo.
Como sempre diz o Luciano, as coisas não são por acaso. Se temos visto times ruins na base, alguma razão deve ter!