quarta-feira, 25 de novembro de 2009

GRÊMIO E A BASE

SAIU EM http://www.correiodopovo.com.br/Esportes/?Noticia=61399


Quem me mandou o link desta interessante reportagem foi meu amigo Luis. Pergunta: Por que não publicaram isso quando Autuori estava aqui? Claro, mais interessante era discutir a "cara" do Grêmio.



"Categorias de base são aposta gremista para 2010

Lista aponta 11 nomes que podem subir aos profissionais na próxima temporada


Para ter um 2010 melhor do que o ano que está terminando, os dirigentes do Grêmio concentram suas apostas na gurizada. É das categorias de base que a direção espera formar um time capaz de novamente ganhar títulos - o último troféu conquistado pelo clube foi o do Gauchão de 2007.

E o trabalho para formar uma base vencedora começou ainda no início de 2009, mais precisamente quando Paulo Autuori, hoje no Catar, acertou com o time gaúcho. Desde então, e mesmo após sua saída, a palavra de ordem entre os garotos é profissionalismo. Os frutos da nova filosofia de trabalho do Grêmio já devem começar a aparecer no próximo ano, prevê assessor de futebol das categorias de base, Paulo Deitos.

A ideia da direção é utilizar mais os jogadores provindos das categorias de base. Há uma lista com 11 nomes - "que ainda não podem ser revelados" - que podem subir aos profissionais já na próxima temporada. O carimbo no passaporte deles será a participação no Campeonato Brasileiro Sub-20 e na Copa São Paulo de futebol júnior. Citando nomes como Mário Fernandes e Saimon, Deitos acredita que vem uma boa nova safra de jogadores gremistas, capaz de montar um bom time já para 2010: “Estamos com muita esperança nesses garotos”.

Muito chão até chegar aos profissionais

O Tricolor conta, atualmente, com mais de 120 escolas conveniadas espalhadas pelo Brasil inteiro e até mesmo no exterior, como no Uruguai e na Argentina. Para acompanhar eventuais promessas, o clube mantém o Setor de Avaliação e Captação. Nele, trabalha uma equipe composta por oito pessoas, sob orientação de Cláudio Djair Barbosa, o Cacau.

Esse grupo viaja seguidamente para observar a gurizada que joga nessas instituições parceiras ao Grêmio. Se for o caso, o garoto vem a Porto Alegre, onde passa por um período de testes em sua categoria.

Entre os encargos desses avaliadores, está também a produção de um relatório sobre os jogadores das escolas conveniadas e de outras equipes. As descrições são armazenadas em um banco de dados existente em uma das salas do estádio Olímpico. Deitos está atento a tudo: “Além dos relatórios, recebemos dois ou três dvds por dia e não descartamos nada”, revela, citando o ex-jogador Júnior, multicampeão pelo Flamengo, como exemplo de sua teoria: “Ele foi descoberto jogando na praia, aos 22 anos”.

Conforme Deitos, o cadastramento nesse banco de dados é minucioso. Lá, separam-se nomes por idade, posição, criação, clube de origem etc. “Tudo isso para errar o menos possível”, diz.

Menos jogadores, mais craques

O custo para manter as categorias de base no Grêmio não chega a ser caro, em termos do mercado do futebol de ponta: R$ 750 mil mensais. “Dinheiro suficiente”, garante Paulo Deitos. “Só com o arrecadado da venda do Anderson – que teve origem em uma das escolas parceiras do Grêmio – daria para manter o setor por muitos anos.”

E as atentas avaliações continuam mesmo depois de o atleta já estar integrado às categorias de base. O objetivo é angariar mais qualidade ao invés de quantidade. Pensando assim, enviados gremistas foram conhecer como funcionam os trabalhos com os mais jovens em clubes como São Paulo, Milan, Real Madrid, Barcelona, entre outros.

“Reduzimos os plantéis da base, pois optamos por qualidade e não mais quantidade. Os clubes do exterior que visitamos mantêm 20, no máximo 30 jogadores em cada categoria. Chegamos aqui, e, em alguns casos, havia mais de 40”, conta Deitos.

Legado de Autuori

Se quiser mesmo chegar aos profissionais do Grêmio, o jogador das categorias de base precisa procurar melhorar a cada dia. “Temos equipes que avaliam os atletas diariamente e elas têm mais de 60 indicadores para avaliar cada um deles”, revela Paulo Deitos. A chegada de Paulo Autuori, em maio, também trouxe a implantação de uma nova filosofia, cujo objetivo é fazer o jogador entender seu posicionamento e estar mais maduro quando for estrear na equipe principal.

Um exemplo disso aconteceu no 
Gre-Nal juvenil disputado no Olímpico, no início do mês. Das cadeiras cativas do estádio, cerca de 180 atletas – das categorias sub-12 a sub-20 – observavam o jogo e anotavam como funcionava o esquema tático de sua posição. As categorias de base também jogam na mesma formação dos profissionais, para que uma adaptação de quem emergir seja ainda mais rápida.

Além da parte prática, o ensinamento teórico é bastante aplicado no Grêmio. No tempo em que esteve no clube, Autuori tornou-se figura constante entre os mais jovens e frequentemente dava palestras aos jogadores e às comissões técnicas das categorias inferiores. “O Autuori cansou de ver jogo em Eldorado do Sul (onde o Grêmio mantém seu CT)”, conta Deitos.

O dirigente também garante a manutenção da nova forma de trabalho, mesmo após a volta do ex-técnico do Grêmio ao Catar. “Hoje, trabalhamos integrados aos profissionais”, assegura.

Fonte: Tiago Medina / Correio do Povo"

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